*Todos os nomes usados neste post são fictícios para privacidade dos personagens.
'Estou desmotivada a escrever' - essa foi a primeira frase que escrevi para esse post, há alguns dias. De forma estranha, eu tinha escrito só isso e não consegui desenrolar mais nada.
Por mais que a gente tente, não dá para ser forte todos os dias, todas as horas. Mesmo as pessoas que mais estão apegadas a Deus - ou a qualquer 'força superior' que acreditam dar-lhes força - às vezes cedem. É humano. É natural. Não é estranho. Estranho, sim, é ver pessoas reclamando por pouca coisa, todo o tempo. Digo, não sou ninguém para julgar o que vai de bom ou ruim na vida de uma pessoa. Mas, por coisas que vejo, ouço, leio, não tem como parar e pensar "poxa, se Fulano soubesse o que Ciclano está passando, não iria reclamar disso".
Dou um exemplo. Eu estava triste por aqui. Acredito que a forma como fui educada, na cultura em que cresci, com as pessoas que vivi, tenham feito eu ver tanta coisa diferente aqui nos Estados Unidos que me entristeceram, enojaram, chatearam. Mas, talvez, não por serem coisas erradas, mas simples e unicamente diferentes das quais eu estava acostumada. Contudo, me deixei levar pela inconformidade e tive uma hard time. Hard time? Pensava eu. Chegou um Sábado e, no caminho para a igreja, me contam a seguinte história: Jessy é uma jovem de 24 anos que, por algum tempo, sofreu mal-trato de um ex-namorado. De "simples" xingamento à perseguição e violência física. Jessy foi resgatada por um agente do Governo, que providenciou casa-refúgio a ela e todo o cuidado necessário para que o ex-namorado não a encontrasse novamente. Por fim, Jessy começou a namorar Jack, quem a resgatou. A diferença etária entre eles é de 20 anos. A mãe de Jessy morreu há seis anos. O pai, foi para um centro de reabilitação de usuários de álcool e drogas. A irmã, de 22 anos, não faz nada na vida além de se envolver com muitos homens, bebidas alcoólicas, ir a festas e ficar bêbada em casa. Para quem sobrou hospedá-la? Claro, para Jessy e Jack. Na Quarta que antecedeu o dia em que fiquei sabendo disso, a irmã-problema de Jessy usou drogas, ficou altamente alterada, chocou-se contra uma árvore por alguns minutos, ficou terrivelmente machucada, se envolveu em briga com um policial, teve pedido de cárcere, foi ao Hospital para ser tratada antes de ir para a cadeia. Ah! Enquanto na briga com o policial, ela fez-se passar por Jessy, que hoje também trabalha para o Governo Americano. No hospital, continuou dizendo ser Jessy, e as pessoas acreditaram, pois ela não portava ID. Até que Jack foi acionado e foi ao hospital. Lá, recebem a notícia de que ela estava com dois meses e meio de gestação. E eu achando que eu era quem estava tendo hard time. Não bastando o turbilhão de coisas que estava acontecendo, Jessy and Jack tiveram um problema com o aquecedor da casa deles, e tiveram de tomar banho frio durante dias de baixa temperatura.
Enquanto eu ouvia cada detalhe da história, sentia meu coração apertar cada vez mais, e pensava quão egoísta e miserável eu estava sendo. Jessy and Jack mesmo me reportaram tudo.
A verdade é simples e clara: até que venhamos a saber sobre esse tipo de história, não valorizamos a nossa vida e não ignoramos o que, de fato, não tem valor. Ou estou mentindo?
Quem me acompanha no Facebook, pode ter notado que eu postei esta semana algo sobre querer escrever no Diário pela última vez. Eu estava, mesmo, desmotivada a continuar escrevendo. Escrever é uma das paixões que tenho, mas que começou a ser traída de forma triste por coisas que deixei me abalarem sem ter real razão. Contudo, recebi algumas mensagens um tanto quanto incentivadoras, e aqui estou mais uma vez.
A minha vida por aqui tem sofrido muitas mudanças, e gosto disso. Na minha opinião, se não há mudança, há estagnação; e com estagnação, não há crescimento. Portanto, me resta olhar pelo lado brilhante delas e continuar a crescer.
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